Memória Fotográfica


 
 

O Motivo, 1969. Mossoró-RN.

Imagem 01 - Blog de Teléscope-Copyright@Télescope

As imagens 01 e 02, de autoria desconhecida, retratam, por meio dos rostos dos seus personagens, momentos de concentração e seriedade para o evento em foco, o qual nos leva crer, pela presença de religiosos paramentados, tratar-se de uma cerimônia de caráter oficial, talvez uma inauguração de algum estabelecimento de saúde ou de ensino, ou quem sabe alguma repartição pública, ou ainda, talvez a entronação de alguma imagem sacra que requeresse os ritos religiosos. Na imagem 01, da esquerda para direita, estão identificadas as seguintes pessoas da sociedade local: João Bosco Gurgel da Frota, (atrás do balcão), Emery Costa, Dom Gentil Diniz Barreto, (1910-1988), o então Bispo da Diocese de Santa Luzia, de Mossoró-RN e Cícero Ximenes.  Na imagem 02, pessoas da sociedade local, além dos religiosos, ao centro da imagem, Frei Bazilio e Dom Gentil, estavam: Raimundo Rebouças, Zé Rodrigues, Cícero Frota, Williams Gurgel, Terezinha e Bibiu Gurgel. 

Imagem 02 - Blog de Teléscope-Copyright@Télescope

Porém, para minha surpresa geral, após breves pesquisas sobre as imagens, as mesmas, de forma sui generis, dizem respeito  a inauguração de um bar e boite, cuja razão social era O Motivo, ocorrida em 1969, localizada na Rua Meira e Sá, Centro, da cidade de Mossoró-RN, e, teve como proprietários, Cícero Xìmenes da Frota e João Bosco Gurgel Frota.

Não resta dúvida de que o motivo foi muito forte para arrastar clérigos a darem a sagrada benção inaugural para a venda dos birinaites pelo estabelecimento. Reminiscências de uma época em que a Lei Seca não existia. Politicamente correto não foi, mas, folcloricamente inusitado isto foi, só faltou o bispo consagrar as hóstias na boite.

 Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Teléscope.

Origem do arquivo fotográfico - siteAzougue.com, acessado em 29/12/2010.



Categoria: Educação, Saúde e Sociedade
Escrito por Copyright@Télescope às 20h21
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Ponte Jerônimo Rosado, Mossoró-RN

Foto 01 - Ponte Jerônimo Rosado, 1944. Copyright@Télescope.

As imagens 01 e 02 mostram o evento da inauguração, em 19/04/1944, da Ponte Jerônimo Rosado, a qual está posicionada, no sentido leste/oeste, sobre o rio Mossoró, que por sua vez dá o seu nome à cidade.

Esta ponte liga o centro da cidade ao bairro do Alto São Manuel. A construção desta, durante décadas e décadas foi aspiração maior para economia local, pois, facilitaria o fluxo dos transportes terrestres com as cargas das mercadorias à praça comercial de Mossoró e adjacências.

Por quase dois séculos, esta cidade, na estação chuvosa,  com as enchentes do rio Mossoró, ficava ilhada; a travessia de uma margem a outra, dava-se em canoas, barcos ou lombos de animal. Simplesmente, parte do comércio parava, pois as alternativas restantes era a ferrovia, que ligava a cidade ao oeste do estado, e, ao porto de Areia de Branca-RN. O escritor Raul Fernandes, nesta postagem anterior, apresenta uma excelente descrição do quadro destas enchentes.

Embora a cidade de Mossoró sempre haja sido uma grande praça comercial do estado, contudo,  nunca foi devidamente bem servida por uma eficiente e estratégica malha viária que a conectasse, de forma inteligente, de norte a sul e de leste a oeste, com os demais pontos do estado, e, favorecesse de modo dinâmico o escoamento dos seus produtos.

A construção da ponte deu-se no decorrer da administração municipal do Padre Luiz Ferreira da Mota, (1897-1966), a qual abrangeu ao período de 1936 a 1945. 

O projeto de engenharia teve como responsável, o engenheiro italiano, Pedro Ciarlini, (1877-1955), que radicou-se em Mossoró, a partir de 1917. 

Foto 02 - Ponte Jerônimo Rosado, 1944. Copyright@Télescope.

O patrono desta ponte, Jerônimo Rosado, (1861-1930), farmacêutico, político e empresário, natural de Pombal-PB,  radicou-se, desde 1890, em Mossoró. Foi prefeito da cidade e patriarca de numeroso clã político local. De acordo com seus biógrafos, prestou relevantes serviços à comunicade local, realizou os primeiros estudos pluviométricos da cidade, e empenhou-se pela questão do abastecimento d'água para Mossoró.

As imagens 01 e 02 são de autoria do fotógrafo Manuelio Pereira, 1910-1980. São capturas bem elaboradas e enquadradas; o fotógrafo captou a probabilidade de realizar um belo grafismo com a grande curva oferecida pela ponte, sustentada pelos pelos pilares, conforme podemos constatar na imagem 01, enriquecido com o alinhamento da assistência em torno da balaustrada da ponte. E o mais mais interessante na imagem 01 é que todas as pessoas estão de costas para o fotógrafo, todas elas a mirarem o curso interno do rio, a espera do surgimento de algum fato importante que pudesse a surgir a qualquer momento. Sem sombras de dúvidas, eu afirmo, o Sr. Manuelito Pereira foi um grande fotógrafo!! 

Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos.

Fontes: BRITO, Raimundo Soares de, (23/04/1920),  Ruas e Patrono de Mossoró, Dicionário,  Fundação Vingt-un Rosado, Cole ção Mossoroense, Série J,  Volume 01, dezembro de 2003;ESCÓSSIA, Lauro. (14/03/1905-19/07/1983).  Cronologias Mossoroenses. Quando, como e onde aconteceram os fatos..., 2a. edição, Coleção Mossoroense, Volume 1579,  Fundação Vingt-un Rosado, abril de 2010; ROSADO, Vingt-un. Mossoró. 2a. dição, Coleção Mossoroense, Volume 1521,  Fundação Vingt-un Rosado, junho de 2006;Origem do arquivo fotográfico -  siteAzougue.com, acessado em 29/12/2010.



Categoria: Urbanismo e Arquitetura
Escrito por Copyright@Télescope às 15h58
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Instituto de Educação de Mossoró-RN, 1959.

Instituto de Educação de Mossoró-RN, 1959.

A imagem em destaque mostra o Instituto de Educação de Mossoró-RN, localizado na Rua Ferreira Itajubá, Praça Dom João Costa, Bairro Santo Antônio. Este estabelecimento de ensino foi fundado em 1959, e, teve por objeto reunir, em seu espaço físico, vários níveis de ensino, do primeiro ao segundo grau. Sua arquitetura foi voltada para um novo projeto educativo, reunindo diversas atividades escolares num único local. Foi algo moderno e contemporâneo, característico das políticas governamentais de JK-Juscelino Kubitschek, (12/09/1902-22/08/1976), presidente da República, no período de 1955-1960.

O projeto arquitetônico do Instituto de Educação foi de autoria do arquiteto Moacir Gomes da Costa, (07-06-1927), natural de Caicó-RN. Observando, por meio da fotografia em tela, a leveza geométrica das retas, deduz-se que Moacir Gomes seguiu a escola do seu outro colega, o arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer, (15/12/1907), que ousou fazer arte com o concreto, usando, somente, retas e curvas, tendo como plano de fundo, unicamente a imensidão do céu. A fotografia, sua provável autoria deva ser do fotógrafo Manuelito Pereira, (1910-1980).

Esta escola formou muitas gerações locais, e, no decorrer das décadas posteriores a data de sua fundação, a denominação deste estabelecimento foi alterada várias vezes, dentre estas, Colégio Estadual de Mossoró e atualmente Escola Estadual Jerônimo Rosado. Porque este patrono foi escolhido, não há uma explicação fundamentada, considerando que não constam registros de que este patrono haja sido algum educador.

Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope.

Fontes: Origem do arquivo fotográfico - site Azougue.com, acessado em 29/12/2010.



Categoria: Educação, Saúde e Sociedade
Escrito por Copyright@Télescope às 22h48
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A boemia mossoroense, em 1947, segundo Seu Raibrito.

Imagem 01 - R. Nilo Peçanha, 1982. Mossoró-RNO acesso a determinadas fotografias de época, as quais rapidamente as associei a um texto constante da obra Páginas Arrancadas (memórias), cujos dados acham-se descritos nas referências bibliográficas abaixo, motivaram-me a escrever esta postagem. Esta obra foi elaborada em 1976, e publicada em 2010. Gostaria de sugerir, sem compromissos, a todo mossoroense a leitura deste livro. O autor, Raimundo Soares de Brito, Raibrito, (91), natural de Caraúbas-RN, mas cidadão mossoroense. Nas diversas obras de sua autoria, priorizou a pesquisa e o resgate das memórias desta cidade, e o fêz de uma forma belíssima, com uma linguagem simples, até lúdica, sem rebusques e frescuras: escreveu com a alma. Transcrevo o texto constante da obra em referência, em sua página 51, como parte do conteúdo textual desta postagem.

"Naquele tempo a diversão principal aqui (Mossoró) era se fazer uma perninha pelos bares da cidade, tomar umas e outras e depois subir.

Vamos subir? Todo mundo já sabia que o convite estava feito para se à zona - o ambiente noturno, alegre e único da cidade. Ali no Art Nouveau que a gente popularmente falando dizia Alto do Louvour, se encontrava de tudo para saciar os desejos da carne: música, jogo de baralho, roletas, bebidas e mulheres. Sobretudo mulheres ... 

Imagem 02 - Luzia Queiroz, 1959. Mossoró-RN

Afora o Bar Brahma, quase todas as outras pensões era conhecidas pelos nomes das suas proprietárias: Maria Florentina, Luizinha, Maria Cordeiro, Zeca de Manduca, além de outras casas alegres pelas imediações sem falar no Rasga ou Cai Pedaço onde funcionava o baixo meretrício. Ali pelas imediações uma série de carrocinhas e pequenos comerciantes fazia um comércio ambulante onde se encontravam o cigarro, confeitos, chicletes, pipocas e uma série de outras guloseimas. Cristino sobressaia-se com galhardia vendendo suas afamadas avoêtes e outros salgadinhos que iludiam os estômagos, quase sempre encharcados de bebidas, de todos nós.

Depois, vieram as pensões com nomes pomposos, algumas até hoje existentes: Las Vegas, de Núbia; Coimbra de Luzia Queiroz; Estrela de D. Laura; Casablanca e outras, dizem que agora sem a movimentação, a alegria e o encanto daqueles tempos. A concorrência dos Motéis e de casas clandestinas e a licenciosidade mataram aquele comércio pecaminoso, mas alegre de carne humana, dos nossos dias de juventude e mocidade .. "

 A imagem 01 mostra um dos trecho da Rua Nilo Peçanha, no antigo Alto do Louvor e a imagem 02, retrata aquela que foi a proprietária da boite Coimbra, Luzia Queiroz, in memorian, com seus filhos. Manuelito Pereira, (1910-1980), deva ser o provável autor das imagens.

Fontes: BRITO, Raimundo Soares de, (23/04/1920), Páginas Arrancadas (memórias),  Fundação Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense, Série C,  Volume 1588, abril de 2010; Origem do arquivo fotográfico -  site Azougue.com, acessado em 29/12/2010.



Categoria: História, Cultura e Arte
Escrito por Copyright@Télescope às 18h59
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Bar Elite, 1919 - Mossoró-RN.

Pça. Vig. Antonio Joaquim, 1967Ano de 1919. O mundo quer voltar a ser alegre e sem problemas, pois, no ano de 1918, terminou o primeiro grande conflito mundial, a Primeira Guerra. E, justamente,  em 05/04/1919, na esquina mostrada na imagem 01, da atual R. Cel. Vicente Sabóia com a antiga R. do Triunfo, na Praça Vigário Antonio Joaquim, que posteriormente veio a funcionar a Drogaria São Judas Tadeu, o Sr. Eduardo dos Santos trouxe a alegria, inaugurou, de sua propriedade, o Bar Elite, para o deleite da sociedade mossoroense.

Recorrendo as palavras de Lauro da Escóssia, (1905-1983), na obra abaixo, ele,  assim, descreveu este evento: "Seu proprietário (Eduardo dos Santos) foi pródigo em dotar Mossoró de um estabelecimento no gênero, confortável e condigno, instalando com motores próprios para os serviços de refrigeração e fabricação de gelo, além do preparo de uma cozinha caprichosa, com especialista e garçons importados da praça do Recife e Fortaleza. Foi orador oficial da inauguração, a que estiveram presentes senhoras e cavalheiros, autoridades do munícipio, o Cel. Bento Praxedes Fernandes Pimenta."  Posteriormente, Eduardo dos Santos, inaugurou outro bar, o Art Nouveau, o qual ficou muito conhecido dos locais pela corruptela que originou o nome do Bairro Alto do Louvor, zona de meretrício da cidade.

Provável autoria da imagem em destaque, Manuelito Pereira, (1910-1980).

Fontes: BRITO, Raimundo Soares de, (23/04/1920),  Ruas e Patrono de Mossoró, Dicionário,  Fundação Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense, Série J,  Volume 01, dezembro de 2003; ESCÓSSIA, Lauro. (14/03/1905-19/07/1983).  Cronologias Mossoroenses. Quando, como e onde aconteceram os fatos..., 2a. edição, Coleção Mossoroense, Volume 1579,  Fundação Vingt-un Rosado, abril de 2010; ROSADO, Vingt-un. Mossoró. 2a. dição, Coleção Mossoroense, Volume 1521,  Fundação Vingt-un Rosado, junho de 2006;Origem do arquivo fotográfico -  site Azougue.com, acessado em 29/12/2010.

 



Categoria: Educação, Saúde e Sociedade
Escrito por Copyright@Télescope às 10h14
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Av. Presidente Dutra, Mossoró-RN.

Imagem 01 - Av. Presidente Dutra, Mossoró-RNAvenida Presidente Dutra situada no distrito 630, tem início na R. Dr. Manoel Hemetério, na zona central, e corre em direção ao Bairro do Alto de São Manoel até a BR-304, que liga Mossoró a Natal, capital do estado, e é uma das artérias mais movimentadas da cidade.

O atual patrono desta avenida, Eurico Gaspar Dutra, (Cuiabá-MT, 18/05/1883-Rio de Janeiro-RJ, 11/06/1974), foi militar, e no Governo Getúlio Vargas, ocupou a pasta do Ministério da Guerra, sendo o responsável pela organização da Força Expedicionária Brasileira durante a II Guerra Mundial, 1939-1945.

Imagem 02 - Avenida Presidente Dutra, Mossoró-RN.Posteriormente, foi eleito Presidente do Brasil, décimo sexto presidente, cujo mandato correspondeu ao período de 1946 a 1951, tendo Nereu Ramos como Vice-Presidente.

Em 02/10/1949, O General Dutra visitou Mossoró, e empenhou-se na solução do abastecimento de água da cidade. Nesta data, o prefeito da cidade era Dix-sept Rosado

As imagens 01 e 02, retratando,  em ângulos diferentes, o trecho desta avenida nas proximidades da zona central da cidade,  na década de cinquenta dos anos 1900.  As imagens,  por suas características, a autoria das mesmas deva ser do fotógrafo Manuelito Pereira, (1910-1980).

Fontes: BRITO, Raimundo Soares de, (1920),  Ruas e Patrono de Mossoró, Dicionário,  Fundação Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense, Série J,  Volume 01, dezembro de 2003; CASCUDO, Luís da Câmara. Notas e Documentos para a História de Mossoró, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, 4a. Edição, maio de 2001; ESCÓSSIA, Lauro. (14/03/1905-19/07/1983).  Cronologias Mossoroenses. Quando, como e onde aconteceram os fatos..., 2a. edição, Coleção Mossoroense, Volume 1579,  Fundação Vingt-un Rosado, abril de 2010; ROSADO, Vingt-un. Mossoró. 2a. dição, Coleção Mossoroense, Volume 1521,  Fundação Vingt-un Rosado, junho de 2006;Origem do arquivo fotográfico -  site Azougue.com, acessado em 29/12/2010. Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope.



Categoria: Urbanismo e Arquitetura
Escrito por Copyright@Télescope às 13h07
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Palácio Episcopal, Mossoró-RN, 1959.

Vila Justa, situada na Praça Padre Mota ou popularmente conhecida como Praça das Caixas d'Água ou Praça do Instituto Pio XII, no Bairro Santo Antônio/Nova Betânia, Mossoró-RN. Toda esta extensa descrição para a imagem 01, corresponde o que atualmente é o Palácio Episcopal ou Palácio do Bispo, assim, popularmente conhecido, pertencente ao patrimônio da Diocese de Santa Luzia, Mossoró-RN.

A denominação Vila Justa faz referência a primeira proprietária deste palacete, D. Justa Nogueira Costa. Questionamentos surgirão: e quem foi D. Justa? A viúva de Totô Reis. E quem foi Totô Reis?  Antônio Soares do Couto, familiarmente chamado por Totô Reis,  membro de antiga e numerosa família local, rico comerciante da praça mossoroense, e, também, foi um dos sócios de Miguel Faustino do Monte.

Antônio Soares do Couto foi prefeito de Mossoró, no período de 1908-1910, cuja administração foi classificada como progressista pelo fato de ter priorizado as questões da instrução pública e do abastecimento de água, o secular problema da cidade. Antônio do Couto é patrono de rua situada no distrito 617, que corta os bairros da cidade, Bom Jardim e Paredões,  no sentido leste/oeste.

Raimundo Soares de Brito, (91),  em sua obra, Legislativo e Executivo de Mossoró,  traça o perfil de Antônio do Couto: Morava no Rio de Janeiro, mas aqui tinha o seu palacete luxuoso para as temporadas periódicas na missão de supervisionar os seus negócios e matar saudades revendo familiares e amigos. (...) Homem de formação religiosa, sem vícios, comerciante desde muito jovem, comunicativo, tinha aversão às questões e às lutas sociais,  possuindo ainda as qualidades de apaziguador de desídios (..) O Cel. Antônio Soares do Couto, não obstante a sua riqueza considerável, nunca fez mal a ninguém nem jamais alimentou vinganças".

Considerando a não-observância por parte do autor à patente militar ostentada pelo personagem,  cabe alertar que este tipo de patente  era concedida pela Guarda Nacional do Segundo Império Brasileiro, devidamente inspirada na Legião de Honra Francesa. A Guarda Nacional, além de outros interesses,  tinha por objetivo agraciar os grandes caciques políticos com tais honrarias,  e,  era público e notório o quanto eles adovaram ostentar tal honraria. As principais patentes eram as de Coronel, Major e Capitão. Até Lampião, (1900-1938), foi agraciado com esta patente militar .....

Antônio do Couto faleceu em Mossoró-RN, em 27/02/1933. Tudo indica que este palacete foi doado à Diocese de Santa Luzia da cidade de Mossoró-RN. Cabe informar que Raimundo Soares de Brito, na obra referenciada, não citou a data de nascimento deste personagem, mas pelas estatísticas de longevidade indicadas para este período, é provável que esta pessoa tenha nascido em 1873. 

Em 04/04/2010, faço uma pequena atualização que me foi enviada pelo leitor José Edilson Segundo, comentário abaixo aprovado, informação esta que foi confirmada na obra em citada: Quanto ao homenageado em questão, ilustre conterrâneo, Antônio Soares do Couto, tenho algumas informações que podem ajudá-lo (a). Antônio Soares do Couto nasceu em 10 de fevereiro de 1866. Em sua gestão como prefeito municipal, 1908/1910.  reformou o prédio municipal da Rua Dionísio Filgueira para ser instalado o Grupo Escolar 30 de Setembro - Fonte: Cronologias Mossoroenses de Lauro da Escóssia, 2010 Revisado e Comentado por Geraldo Maia do Nascimento, pág. 83

O leitor José Edilson de A. Guimarães Segundo, no comentário abaixo aprovado, apresentou outras informações relativas à genealogia deste patrono, informações estas que podem ser consultadas na obra de Francisco Fausto de Souza, História de Mossoró, publicada pela Fundação Vingt-un Rosado, 4a. edição, 2010. 

Embora não haja referências sobre a autoria da imagem, porém, por suas características visuais no sentido de composicão, credito a autoria da mesma ao Sr. Manuelito Pereira, (1910-1980). Como nós brasileiros sofremos de um tipo de síndrome (parecida com o transtorno bipolar) ainda não identificada pelo mundo científico, síndrome esta que adora derrubar e destruir tudo o que está em nossa volta, e, se por acaso, talvez, este palacete não haja sido derrubado e/ou destruída toda a arquitetura original da fachada exterior do mesmo ou talvez,  antes que a fotografia do mesmo, também, não desapareça, aproveito a oportunidade para fazer e deixar minhas observações sobre o mesmo: uma arquitetura do final do Século XIX e início do XX, com grandes influências européias, e deixando ao observador, de maneira muito clara,  que o proprietário ou o mestre de obras eram maçons.  Porque os símbolos, principalmente os triângulos,  estão expressos em toda a sua fachada exterior, que aliás, caracteriza bem, em grande parte, a arquitetura mossoroense daquele período. Espero que ela (este patrimônio arquitetônico), não haja sido sido destruída .... 

  

Fontes: BRITO, Raimundo Soares de, (1920),  Ruas e Patrono de Mossoró, Dicionário,  Fundação Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense, Série J,  Volume 01, dezembro de 2003; CASCUDO, Luís da Câmara. Notas e Documentos para a História de Mossoró, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, 4a. Edição, maio de 2001;  ROSADO, Vingt-un. Mossoró. 2a. dição, Coleção Mossoroense, Volume 1521,  Fundação Vingt-un Rosado, junho de 2006;Origem do arquivo fotográfico -  site Azougue.com, acessado em 29/12/2010.

Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope.



Categoria: História, Cultura e Arte
Escrito por Copyright@Télescope às 17h17
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Rua José de Alencar, 1962. Mossoró-RN.

Imagem 01 - R. José de Alencar, 1962.A imagem 01 retrata a Rua José de Alencar, situada no distrito 602,  na área sul da zona central de Mossoró-RN,  tem seu início na R. Alfredo Fernandes e término na R. Almirante Barroso. Provável autor da imagem, Manuelito Pereira (1910-1980). Embora, no site de origem, esta foto esteja com a data de 1962, mas, pelas características presentes na mesma, esta foto provavelmente remonte a uma década anterior a esta data.

José Martiniano de Alencar, (Mercejana-CE, 1829-Rio de Janeiro, 12/12/1877),  foi uma das expressões literárias importante na ficção do Romantismo Brasileiro, e precursor do romance histórico no Brasil.  Foi deputado por seu estado em quatro legislaturas; Ministro de Estado, ocupando a pasta da Justiça em 16/07/1868. Também, foi teatrólogo, poeta, crítico, jornalista e político.

Leandro Narloch em Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, São Paulo Leya, 2009, p.106, apresenta uma pérola sobre este autor: José de Alencar era contra a abolição, cujas idéias escravagistas estão explicitamente colocadas na série,  por ele, publicada: Ao Imperador: Novas Cartas Políticas de Erasmo. São sete cartas abertas, dirigidas ao Imperador Dom Pedro II, das quais, três tratam abertamente da defesa da escravidão negra no Brasil. Quem diria .....

As principais obras de José de Alencar foram O Guarani, Iracema, Ubirajara, O Tronco do Ipê, Lucíola e Senhora. José de Alencar é patrono da cadeira nº 23 da ABL-Academia Brasileira de Letras.

Fontes: BRITO, Raimundo Soares de, (1920),  Ruas e Patrono de Mossoró, Dicionário,  Fundação Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense, Série J,  Volume 01, dezembro de 2003; Origem do arquivo fotográfico -  site Azougue.com, acessado em 29/12/2010. Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope.



Categoria: Urbanismo e Arquitetura
Escrito por Copyright@Télescope às 19h40
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Aeroporto de Mossoró-RN, 1969.

Imagem 01 - Aeroporto Dix-Sept Rosado, 1969.A imagem 01, datada de 1969, e, de autoria desconhecida, mostra o Aeroporto de Mossoró-RN, o qual está localizado dentro da área urbana da cidade, no bairro Aeroporto. A data de sua criação não está precisa, mas Câmara Cascudo, na obra abaixo, faz referência ao mesmo, como já existente, na década de quarenta do Século XX. É provável que haja sido um desdobramento do surgimento do aeroclube local. Anteriormente, tais logradouros recebiam uma denominação de Campo de Pouso ou Campo de Aviação.

A área total do aeroporto abrange 114 hectares, com uma pista de pouso/decolagem com 2.000 metros de comprimentos por 30 metros de largura.

As atividades aviatórias da cidade foram fruto da iniciativa do político potiguar Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia, cujo centenário de nascimento dar-se-á neste ano, (Mossoró-RN, 25/03/1911-Aracaju-SE, 12/07/1951), um dos sócios fundadores do Aero Clube de Mossoró, e, em homenagem póstuma, recebeu título de patrono deste aeroporto.  É impossível folhear as páginas da história mossoroense e não falar sobre Lampião, Rodolfo Fernandes, Padre Mota e Dix-sept, este último, personagem oriundo de um dos clãs políticos locais.

Décimo sétimo filho do casal Jerônimo Rosado Ribeiro e Isaura Rosado Maia, Dix-sept Rosado, em sua meteórica trajetória política, foi eleito Prefeito de Mossoró-RN, em 1948, e, em 1951, eleito Governador do Estado do RN. Conforme seus biógrafos, foi um homem de visão empreendedora, com grande capacidade administrativa, que incentivou o desenvolvimento do Estado com ações reais.

Câmara Cascudo, na obra abaixo, relaciona uma série de ações significativas empreendidas por este Governador. Preocupou-se com o fator educação, criou escolas, e não, presídios ... aliás, cabe lembrar que, para contragosto dos locais, o nome deste aeroporto está presente de modo constante, no noticiário da mídia nacional em decorrência, não do transporte de celebridades, mas, sim, do trânsito de figuras perigosas do submundo do crime ... Em suma, quem constrói escolas reduz substancialmente as chances de edificar presídios, no futuro ....

O destino traça mudanças, que às vezes, sob a nossa perspectiva, podem nos parecer injustas, contudo, assim é a vida, assim é a História. Em 12/07/1951, às 9 horas, o jovem governador que encontrava-se em missão a serviço dos interesses do Estado, teve a sua vida interrompida no desastre aéreo, no rio do Sal, nas proximidades do campo de pouso de Aracaju-SE.  A aeronave, um DC3, PP-LPG, das Linhas Aéreas Paulistas-LAP, realizava o percurso Natal-Rio de Janeiro, e o acidente ocorreu no trecho Maceió-AL/Aracaju-SE. Portanto, de forma trágica, naquela data, encerrou-se um capítulo da História Potiguar. Sobre este personagem existe extensa bibliografia disponível sobre o mesmo, salientando a Coleção Mossoroense com várias obras acerca do tema. 

 

Fontes: BRITO, Raimundo Soares de, (1920),  Ruas e Patrono de Mossoró, Dicionário,  Fundação Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense, Série J,  Volume 01, dezembro de 2003; CASCUDO, Luís da Câmara. Notas e Documentos para a História de Mossoró, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, 4a. Edição, maio de 2001; ESCÓSSIA, Lauro. (14/03/1905-19/07/1983).  Cronologias Mossoroenses. Quando, como e onde aconteceram os fatos..., 2a. edição, Coleção Mossoroense, Volume 1579,  Fundação Vingt-un Rosado, abril de 2010;  ROSADO, Vingt-un. Mossoró. 2a. dição, Coleção Mossoroense, Volume 1521,  Fundação Vingt-un Rosado, junho de 2006;Origem do arquivo fotográfico -  site Azougue.com, acessado em 29/12/2010. Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope.



Categoria: Educação, Saúde e Sociedade
Escrito por Copyright@Télescope às 17h31
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Aero Clube de Mossoró-RN.

Foto 01-Aeroclube Mossoroense, 06/09/1942-Manuelito Pereira (1910-80)

A imagem 01, de autoria do fotógrafo Manuelito Pereira, (1910-1980), e datada de 06/09/1942, registrou o evento ocorrido naquele dia, no Aero Clube de Mossoró-RN, que foi a chegada à cidade, do avião tipo Paulistinha, batizado de Mário Barreto, para compor a frota de aviões deste Aero Clube.

O Aero Clube de Mossoró foi fundado em 04/01/1940, que de acordo com Lauro Escóssia, uma entidade com a finalidade de incentivar a prática do amadorismo civil da aviação junto aos jovens mossoroenses. Parece-nos algo muito singelo, criado  mais por diletantismo do que por força econômica que tivesse o objetivo de formar mão-de-obra especializada.

Os sócios fundadores, todos in memorian, foram: Aldemir Fernandes, Camilo Pereira de Paula, Enéas da Silva Negreiros, Francisco Felício de Morais, Jerônimo Dix-sept Rosado, Jerônimo Vingt Rosado e Raimundo Nonato da Silva.

Imagem 01 - Aviadores mossoroenses, 1947.

O primeiro instrutor deste Aero Clube foi o aviador Mário Santos, da Escola de Pilotagem do Aero Clube do Rio de Janeiro. Em novembro de 1942, Mário Santos brevetou a primeira turma de pilotos civis, em Mossoró. A imagem 02, data de  1947, de autoria desconhecida, mostra uma turma de aviadores civis mossoroenses.

A frota de aviões local era constituída por aviões do tipo Paulistinha, dentre estes:  Mário Barreto, recebido em 1942, o Cidade de Mossoró, em 1944, o Capitão Sílvio Canizares e João Monteiro Rocha, em 1945, e o Raimundo Fernandes, para treinamento avançado, doado pela firma local Tertuliano, Fernandes & Cia, em 03/11/1946.

Imagem 03 - Acidente aéreo em Mossoró-RN, 1954.

A imagem 03, de autoria desconhecida, mas feita com profissionalismo considerando o ótimo enquadramento da mesma, registrou o desastre de um dos aviões Paulistinha, usado em treinamento pelo Aero Clube de Mossoró. O acidente ocorrido em 03/07/1954,  no subúrbio do Bairro Bom Jardim, Mossoró-RN, que morreram carbonizados, os alunos daquela escola de pilotagem, Edson Galvão de Sabóia e Valdir Fernandes de Almeida. O acontecimento deixou os locais consternados, já que as vítimas eram todas da cidade.

Recentemente, conversando com alguns locais que, por intermédio de seus pais e avós, conhecem muitos fatos sobre este Aero Clube. Contaram-me que, com o advento do mesmo foi necessária a vinda de pilotos, alguns procedentes da cidade do Rio de Janeiro, que na época era a capital do Brasil; profissionais estes necessários ao treinamento de novos pilotos. A chegada,  à cidade, destes bonitos e galãs novos moradores, provocou alteração na rotina provinciana dos costumes da cidade, em específico com o ritmo de vida das jovens em idade de casamento ... portanto, não demorou muito, explodiu um ardente namoro entre um aviador, casado,  e uma moçoila, virgem, do seio de uma importante família da aristocracia local, porque a paixão desconhece cor, origem social e estado civil ... em resumo, parte desta família, para fugir de escândalos e outras situações desagradáveis, mudou-se do país chamado Mossoró para outra localidade. Sem um caso de amor, toda e qualquer estória ficaria sem atrativos. Quanto ao aviador Don Juan, não me falaram sobre o seu fim .... deve ter retornado à Cidade Maravilhosa.  

Outras informações sobre o Aero Clube de Mossoró podem ser obtidas pelos artigos acessados em 08/03/2011 e, disponibilizados na página de O Mossoroense: Dix-sept Rosado e o Aero Clube de Mossoró, e, Rômulo Negreiros e o Aero Clube.

Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope.

    

Fontes: ESCÓSSIA, Lauro. (14/03/1905-19/07/1983).  Cronologias Mossoroenses. Quando, como e onde aconteceram os fatos..., 2a. edição, Coleção Mossoroense, Volume 1579,  Fundação Vingt-un Rosado, abril de 2010;  ROSADO, Vingt-un. Mossoró. 2a. dição, Coleção Mossoroense, Volume 1521,  Fundação Vingt-un Rosado, junho de 2006; Origem dos arquivos fotográficos, site Azougue.com.



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Praça da Independência, Mossoró-RN

Foto 01 - Praça da Independência, 1940

A imagem 01 mostra a Praça da Independência, nos anos 40 de 1900. Ao fundo, à esquerda, o Mercado Público, e à direita, a Catedral de Santa Luzia. À frente, à direita, casarão antigo que mais tarde vem a ser o Edíficio Rocha, e ao centro, a praça propriamente dita. Todas as edificações desta imagem foram modificadas ao longo das décadas pelas marretas impacientes do progresso, e,  consequentemente, descaracterizando o patrimônio arquitetônico da cidade. Assim como Saturno que devora os seus próprios filhos, os brasileiros desmontam suas próprias cidades.

Por descuido de minha parte, não anotei o site de onde encontrei a imagem 01; uma imagem única, um verdadeiro achado! E, posteriormente, ao tentar retornar a esta página, infelizmente, não mais a localizei. Mas, algo é bem certo, assim, como a foto 02, a autoria desta imagem aproxima-se muito das características das imagens captadas pelo fotógrafo Manuelito Pereira (1910-1980).

Insiro aqui, uma abertura para apresentar um rico texto elaborado pelo Sr. Raimundo Soares de Brito, Raibrito, (91), em sua obra intitulada Páginas Arrancadas (memórias), Fundação Vingt-un Rosado, 2010, página 45. Obra esta que o referido autor apresenta textos belíssimos, ricos em narrar suas memórias pessoais com simplicidade poética. Contudo, pela leitura da obra em questão, o autor elaborou estas memórias em 1976, e, somente, sendo editadas em 2010. O texto que escolhi para ilustrar esta postagem foi,  Rodinhas de conversadores - O Mercado Central, mercado este, em destaque, à esquerda, na imagem 01. E assim, numa linguagem simples, coloquial, direta, cativante e interativa, este escritor que sempre carregou em sua alma, a paixão pela História, o eterno enamorado por Clio, nos coloca:

"Nos idos de 40, o Mercado Central era o ponto de encontro matinal, onde se tinha em primeira mão a notícia dos acontecimentos do dia anterior. É bom que se diga que em Mossoró, naquela época, não existia televisão, nem estação de rádio local. Ali, portanto, era o ponto principal da cidade, onde sabíamos as notícias, que só saberíamos nos domingos, quando eram publicadas no jornal O Mossoroense, à época o único existente.

Não existiam os sofisticados supermercados e todo mundo, ricos e pobres, tinham de se abastecer de carne, peixes, frutas, verduras, cereais, e tudo mais, no velho Mercado.

Altos comerciantes, personalidades de destaque, eram vistos, muitos de pijamas, (esta parte, dos pijamas, considero ser um exagero total e absoluto. Pois, numa cidade com ares tão provincianos e burgueses como Mossoró, ninguém, na década de 40 do Século XX, nem no Rio de Janeiro, sairia, de manhã, cedo, vestindo pijamas para compras matinais - comentário da autora) com seu balde de zinco no braço, a fazerem compras domésticas, juntamente com operários humildes, cabeceiros e outras classes sociais.

Um visual pitoresco, dos dias tranquilos e dos costumes provincianos, de tempos idos, que deixaram saudades ...

Mais tarde, as notícias e os boatos iam ter curso, nos novos encontros de rua, nas esquinas, nos cafés, espalhados pela cidade, nas chamadas Rodinhas de Conversadores". 

A foto 02, deste mesmo logradouro, datada de 1965, o apresenta com grandes mudanças, totalmente com aspecto diferenciado, e em plena praça, já confortavelmente instalado, um posto de combustível. Vem de longe a obtusidade de nossas autoridades públicas, permitindo instalar qualquer estabelecimento em qualquer logradouro público.

Foto 02 - Praça da Independência, 1965 

 

Origem da foto 02 -  site Azougue.com, acessado em 01/02/2011. Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope.



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Os arredores da cidade: O Alto de São Manoel

Imagem 01 - Vista aérea do Alto de São Manoel, 1961. Mossoró-RN

A imagem 01, de autoria de Manuelito Pereira (1910-1980),  apresenta uma vista aérea do Bairro do Alto de São Manoel, totalmente alagado pela grande enchente que assolou a cidade de Mossoró-RN, em 1961. Esta foi uma das enchentes que mais trouxe prejuízos à economia local, em especial a atividade salineira, destruindo grande parte das salinas situadas ao longo do rio Mossoró.

Este bairro situa-se no lado leste da cidade, à margem direita do rio Mossoró, e cortado centralmente pela Av. Presidente Dutra, que é  saída de Mossoró para Natal, a capital do estado, e é um dos bairros mais populosos da cidade.  De acordo com Raimundo Soares de Brito, este bairro tem origem no antigo Alto do Balbino, pois nos idos dos primórdios da cidade, Século XVIII, Simão Balbino Guilherme de Melo, (1816-1893),  proprietário, agricultor, pecuarista, Delegado de Polícia, Juiz de Paz, Presidente da Intendência (cargo equivalente ao de Prefeito) e Vereador da Câmara, tinha parte de suas terras neste local. Deste clã, saiu o amaldiçoado rebento, conhecido por Padre Francisco Longino de Melo, (1802-1879), o padre cangaceiro e arruaceiro. Francisco Fausto de Souza, considerado o primeiro historiador mossoroense, em sua obra História de Mossoró, apresenta um extenso relato, recheiado de peripécias,  sobre este cangaceiro de batina.

Dom Jaime de Barros Câmara, (1894-1971), o primeiro bispo da Diocese de Mossoró, 1935, propôs a mudança de Alto do Balbino para Alto de São Manoel, em homenagem a Manoel Cirilo dos Santos que fêz a doação do terreno para a construção da Capela de São Manoel, a qual se está retratada na imagem na 02, que pelos aspectos técnicos, é provável que venha a ser de autoria de Manuelito Pereira, (1910-1980). 

 Imagem 02 - Capela de São Manoel, 1981.

 

 

Fontes: BRITO, Raimundo Soares de, (1920),  Ruas e Patrono de Mossoró, Dicionário,  Fundação Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense, Série J,  Volume 01, dezembro de 2003; CASCUDO, Luís da Câmara. Notas e Documentos para a História de Mossoró, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, 4a. Edição, maio de 2001; Origem dos arquivos fotográficos -  site Azougue.com, acessado em 29/12/2010. Índice das Matérias Publicadas em Memória FotográficaCitarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope.



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Rua Ferreira Itajubá, Mossoró-RN.

Imagem 01 - R. Ferreira Itajubá, 1978. @TelescopeArtéria situada no distrito 611, é uma das ruas que ladeiam a Praça Cônego Estevão Dantas. Manuel Virgílio Ferreira Itajubá, (Natal-RN, 21/08/1877-Rio de Janeiro-RJ, 30/06/1912). Raimundo Soares de Brito, (90), na obra em referência traça o seu perfil: "Um dos maiores poetas do Rio Grande do Norte. Boêmio e seresteiro inveterado.

Imagem 02 - R. Ferreira Itajubá, 1974. @Telescope

Exerceu várias funções: auxiliar do comércio, diretor de circo, orador popular, jornalista e funcionário público. Descendia de gente simples, como gente simples viveu e como simples morreu. O destino lhe foi adverso.

Ele que desejou morrer cantando, num domingo formoso, ao contrário, morreu indigente numa Casa de Saúde, na cidade do Rio de Janeiro, em consequência de moléstia uretro-prostática".

Em síntese, os logradouros de uma cidade, por meio de sua nomenclatura, contam a história de um lugar. As imagens em destaque, mostram a Casa José Soares, pertencente a este comerciante da praça mossoroense, José Soares Rolim, in memorian.

Provável autor das imagens que ilustram esta postagem, o fotógrafo mossoroense Manuelito Pereira, (1910-1980).

CEP: 59.611-030 - Início ao fim.

Fontes: BRITO, Raimundo Soares de, (1920),  Ruas e Patrono de Mossoró, Dicionário,  Fundação Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense, Série J,  Volume 01, dezembro de 2003; CASCUDO, Luís da Câmara. Notas e Documentos para a História de Mossoró, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, 4a. Edição, maio de 2001; Origem dos arquivos fotográficos -  site Azougue.com, acessado em 29/12/2010. Índice das Matérias Publicadas em Memória FotográficaCitarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope.



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Rua Dr. Antônio de Souza, Mossoró-RN

Imagem 01 - R. Dr. Antônio de Souza, 1960. Mossoró-RN. @Télescope

As Imagens 01 e 02, retratam respectivamente parte da Rua Dr. Antônio de Souza, em datas específicas, sendo a primeira de 1960, e, a segunda, durante a enchente de 1974. Esta artéria está localizada no distrito 601, centro, tendo o CEP 59.600-650, do início ao fim.

Raimundo Nonato,(1907-1993), escritor que muito registrou sobre a história da cidade, informa que em épocas anteriores, neste local, sempre voltado para as atividades comerciais, havia uma grande latada, a qual servia como  rancho dos comboieiros procedentes dos seguintes lugares: Cariri-CE, Catolé do Rocha e Souza-PB, Pau dos Ferros e Portalegre-RN, assim como de outras localidades, onde os comerciantes locais  iam abastecer-se de frutas e outros artigos que eram vendidos quase de graça.  Também já foi denominada por Travessa Monte Primo, referência à empresa comercial existente na época, a Monte, Primo & Cia., situada naquele logradouro, cujos sócios eram Antônio Firmo, Humberto Monte e Joaquim Felício de Moura.  Em 1927, este logradouro aparece batizado como Travessa Antônio de Souza.

Sobre fatos pitorescos em torno da história deste logradouro, Raimundo Nonato acrescenta que em determinado ponto desta travessa havia um local, popularmente chamado de Beco da Mijada, e explica a causa da tão específica denominação: "Esse beco que ligava a antiga travessa Monte Primo, hoje Antônio de Souza em frente à Rua Coronel Gurgel, olhando para o Sobrado do Velho Lucas Lavrado. De um lado do beco era o prédio com as máquinas do antigo descaraçador de algodão da firma  Oliveira, Irmãos & Cia., de Idalino, Chico Oliveira e Davino, o poeta. Chico Oliveira era o marido de Dona Ná, aquela rua de quartos famosos. E por que não citar o Beco da Mijada que a pudicícia de Padre Sales cavilosamente riscou dos originais? Mijada nunca foi vergonha geográfica nem desmerecimento urbano. Beco da Mijada está lá, gloriosamente conheci". Estas foram as declarações de Raimundo Nonato, constantes na obra abaixo referenciada.

Imagem 02 - R. Dr. Antônio de Souza, Mossoró-RN. @TélescopeO patrono Antônio José de Melo e Souza é personagem da história potiguar, o qual governou o estado do RN, nos períodos de 1907-1908 e 1920-1924. Antônio de Souza nasceu em Papari-RN, hoje, Nísia Floresta-RN, em 24/12/1867, e faleceu em Recife-PE, em 05/06/1955. Sobre o seu perfil político-profissional foi Bacharel em Direito, Diretor da Instrução Pública, Deputado Estadual, Procurador da República, Secretário de Governo, Senador da República Velha e Governador do Estado.

Além disso, foi jornalista, poeta, romancista e contista, escrevendo com o pseudônimo de Policarpo Feitosa, alguns dos seus livros foram: Flor do Sertão, (1928),  Gizinha, (1930),  e Alma Bravia, (1934).

Provável autor das imagens que ilustram esta postagem, o fotógrafo mossoroense Manuelito Pereira, (1910-1980).

CEP: 59.600-650 - Início ao fim.

Fontes: BRITO, Raimundo Soares de, (1920),  Ruas e Patrono de Mossoró, Dicionário,  Fundação Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense, Série J,  Volume 01, dezembro de 2003; CASCUDO, Luís da Câmara. Notas e Documentos para a História de Mossoró, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, 4a. Edição, maio de 2001; Origem dos arquivos fotográficos -  site Azougue.com, acessado em 29/12/2010. Índice das Matérias Publicadas em Memória FotográficaCitarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope.



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